SELEÇÃO DO CAVALO CRIOULO
 

Segundo o hipólogo Carvenim, a seleção pode ser conservadora ou progressiva. Com a última avançaremos pela perfeição das qualidades e características mais ou menos puras. Com a primeira, isto é, a conservadora pode-se chegar a configurações de gerações do mesmo tipo racial, mantendo suas aptidões.

De acordo com Dechambre  não podemos nos contentar mantendo suas condições médias da raça. Assim é que devemos mantê-la, mas aperfeiçoando dentro da própria raça.

Os reprodutores devem ser escolhidos isentos de sangue estranho é que apresentem a devida nitidez que caracterizam a raça pura. Como diz Baron, com o aparecimento de duas gerações escolhidas dentro da raça, não só resultam um produto parecido a eles, como nas gerações subseqüentes uma morfologia útil, fixadores de caracteres raciais de ascendentes com destaque.

Para obtermos estes resultados devemos selecionar animais com marcantes qualidades, não só morfológicas como funcionais. Portanto o criador deve ter conhecimento das qualidades para acasalar tipos semelhantes em conformações ou aptidões, eliminando os defeituosos. Jamais devemos cruzar animais com defeitos opostos para chegar a um equilíbrio, método totalmente errôneo. Se quisermos uma maneira de eliminar defeitos nas manadas, apesar de antieconômico, é colocar as matrizes com defeito com um jumento e produzirmos uma mula!

O patrimônio hereditário não só pelos caracteres morfológicos como as qualidades funcionais é transmitido ao descendente pelos geradores diretos, e em contrapartida com os ascendentes colaterais, paternos e maternos, o que domina o “atavismo”. A herança individual direta nos descendentes se vê reforçada quase sempre por somas acumuladas das gerações anteriores. Quanto maior o acúmulo, maior poder hereditário acusará o descendente. Quanto mais gerações compostas de animais de destacadas qualidades, mais valores terão, porque o atavismo abrirá de um modo inteiramente convergente na herança do indivíduo.

 

Um indivíduo possuirá as seguintes somas de heranças:

 

25% de influência paterna;

25% de influência paternal atávica;

25% de influência materna;

25% de influência maternal atávica.

 

Em resumo diríamos que o cavalo é um produto de herança ancestral e de suas circunstâncias ambientais. Portanto, poderemos analisa-lo pelos fatores P (pai) + M (mãe) x Ambiente.

Para fixarmos uma determinada qualidade do nosso criatório é necessário um sucessivo número de gerações. O cruzamento não é matemático ou simplesmente a colocação de bom garanhão e égua para obtenção de um belo produto.

Até os dois anos de idade, um produto apesar de ter adquirido a carga genética, vai depender das circunstâncias ambientais, desde o útero mãe ao ambiente que enfrentar até esta idade, como clima, qualidade de alimentação e exercícios recebidos. Não podemos exigir de pais de qualidades opostas e com um regulamento ambiental negativo.

Ao adquirirmos um garanhão devemos estudar sua ascendência e morfologia, proporcionando condições de somar com as qualidades destacadas das nossas matrizes e diluir algum defeito por elas apresentadas: mesmo usando este critério devemos utilizar um reprodutor não provado nas nossas éguas inferiores para observarmos suas qualidades dominantes.

 

Assim como precisamos nos proteger de possíveis erros, o mesmo serve para os clientes, vendendo garanhões de boa qualidade e castrar aqueles que possam nos comprometer como futuros pais.

 

Um criador que vende um mau reprodutor  ganha no momento, mas certamente perderá no futuro. Um cavalo castrado bem domado que ofereça condições de participar, com sucesso, em provas, como tiro de laço, eqüinolatinas, marchas, vaquejadas, jogo do pato, nos darão mais resultado com menos despesas e ainda projetarão nossa cabanha.

 

ANDADURAS:

 

Baseado nos pesquisadores Claire T. Farly e Richard Tayler, do Museu de Zoologia Comprovada da Universidade de Harvad

(EUA) mudaram uns princípios sobre os movimentos dos quadrúpedes.

Acreditava-se  que o cavalo, por exemplo, ao passar de um andamento lento (trote) para um mais rápido (galope) estava adotando uma medida para economizar energia. Os pesquisadores mostraram, através de estudos realizados, que o galope, ao contrário do que se acreditava, provoca maior dispêndio de energia do que o trote. Porém, a grande vantagem do galope é que implica em menores riscos para os músculos, tendões e esqueleto, tendo em vista que é um andamento mais macio do que o outro. O custo energético do animal que passa do trote para o galope é de 13% superior, em média, ao do trote. Os estudiosos verificam que os  “picos de força” impostos aos órgãos de sustentação são bem menores no galope do que ao trote.

 

Para constatar a veracidade deste trabalho sobre o sistema músculo esqueleto que determinava a mudança de andamento, Farly e Tayler realizaram estudos em duas fases. Na primeira analisaram  os animais com seus pesos normais, ao contrário da segunda, ocasião em que foi colocada uma carga adicional sobre cada um deles. Se o que causava a mudança no andamento era realmente uma maior exigência dos órgãos de sustentação, então os animais que carregavam peso deveriam passar de trote para o galope em velocidade mais baixa, já que seus ossos e músculos estavam sendo mais exigidos.

 

Os cientistas observaram três pôneis da raça Shetland (com peso médio de 150 kg), sem peso adicional, que andavam do trote para o galope quando atingiam uma velocidade média de 12 km/h. Neste momento, ossos e músculos estavam no nível crítico para suportar os efeitos do trote, ou seja, havia maior risco de sofrerem danos. Quando os pôneis recebiam um volume adicional (23% acima de sus pesos normais), a velocidade na qual eles passaram do trote para o galope era de 12 km/h em média. Ao passarem do trote para o galope os “picos de força” impostos aos seus órgãos de sustentação apresentavam uma redução de aproximadamente 14%, diminuindo a probabilidade de danos.

 

Para melhor conclusão campeira: ao trote o cavalo gasta menos energia, e quando atinge um nível crítico que no Crioulo de ser superior, passam a se sujeitar a maiores riscos de danos. Ao galope o cavalo gasta mais energia, por outro lado está sujeito a menos risco. O perigo é semelhante ao carro quando não se faz a marcha em nível crítico de acordo com a potência de seu motor.

 

Valendo-nos deste estudo, um cavalo preparado para uma prova é preferível treiná-lo a galope do que com um trote estendido (chasqueiro). Assim gastariam mais energia, que poderia ser equilibrada com a ração, aliviando os esforços sobre seus ossos, músculos e tendões.

 

Queremos ressaltar que o trabalho desses pesquisadores foi fornecido como colaboração do amigo crioulista entusiasta  Dr.

Carlos Alberto Macedo, professor de ortopedia.

 
ALIMENTAÇÃO E CUIDADOS PARA AS ÉGUAS DE CRIA

 

Em primeiro lugar, devemos dar atenção às enfermidades próprias dos ventres prenhes, para que tenhamos um maior índice de natalidade. As éguas nessa condição podem trabalhar, desde que não sofram esforços excessivos. Ao se aproximarem do parto a atividade deve ser suspensa.

 

A duração média de gestação é de 11 meses ou 340 dias, com variações em torno de 15 dias. Na véspera do parto necessita maior atenção. E as potras estão em condições de reproduzir a partir dos três anos de idade.

 

O leite da égua é mais pobre em matéria de graxa, proteínas e minerais do que o de vaca, porém superior em lactose (açúcar do leite). A produção diária de leite de uma égua varia em 09 a 20 kg.

 

A égua, caso esteja estabulada, deve parir em bala ampla e em cama de palha. O potrilho precisa receber um desinfetante no umbigo para evitar infecções que venham afetar suas articulações. O ideal seria parir a campo.

 

CERTAS VIRTUDES PSICOLÓGICAS DO CAVALO INTELIGÊNCIA

 

Em primeiro lugar, o homem deve ter convivência com o cavalo para que desenvolva sua inteligência, pois este teme o desconhecido. Muitas vezes, ao comprarmos gado chegando de automóvel no rodeio, um peão nos cede sua montaria, considerando-a de toda confiança, e por nos desconhecer, ao montá-la, nos surpreende em corcovos.

 

O cavalo é muito mais inteligente do que julgamos. Quando costumávamos pealar animais por esporte, de preferência os mais ordinários, bastava chegar na mangueira para eles se protegerem num canto, não dando oportunidade de pealá-los.

 

Era uma demonstração de inteligência semelhante ao burro de um filósofo grego, que carregado de sal, percebeu que ao passar um córrego existente, quando cheio sua carga era aliviada. Passou, então, a ajoelhar-se quando o atravessa em baixa para que a água atingisse o sal. Para tirar-lhe este hábito, o filósofo teve que fazer prevalecer sua inteligência, carregando-o de lã. O burro percebeu que sua carga aumentava, passando a atravessá-lo normalmente.

 

MEMÓRIA

 

O cavalo também tem memória. Basta verificar que reconhece locais onde teve sensações agradáveis. Se você, ao cruzar por um determinado lugar, oferecer uma cenoura ou açúcar, cada vez que fizer o mesmo caminho manifestará vontade de passar, voltando à cabeça como quem procura algo. E da mesma forma se receber maus tratos em outro lugar, ao passar novamente, dará reações de inquietação. Nas nossas campereadas, ao regressar para a casa, o cavalo se tornará alegre, mudando suas andaduras, com vontade de chegar para ser desencilhado e, talvez, ser contemplado com uma ração.         

 

ORIENTAÇÃO

 

É o sexto sentido do animal. Sem uma orientação maior, é capaz ao ser solto em lugar estranho de regressar a sua querência percorrendo vários quilômetros. Certamente sua memória visual colabora neste sentido, com a ajuda da audição e olfato.

 

TATO

 

Ele está situado no focinho através dos pêlos ali existentes.

 

HÁBITOS

 

O cavalo adquire  costumes espontâneos, como o de parar na casa de clientes de um distribuidor de mercadorias, ou no bar que o bêbado costuma abastecer.

 

SENSIBILIDADE

 

Jamais devemos castigar um cavalo sem motivo justo, pois ele não esqueceria tamanha injustiça.

 

VONTADE

 

Para ser adestrado precisa receber uma educação que contrarie sua vontade, fazendo-o adquirir bons hábitos no sentido de que o cavaleiro indique e ele execute.

 

GULODICE E LIBERDADE

 

São duas preferências do cavalo. Quando observamos cavalos abrindo porteiras ou destampando tulhas é porque  ele está à procura de gulodices ou da sua liberdade. Por isso, quando executam satisfatoriamente nossas exigências, deve ser contemplado com açúcar, cenoura ou liberdade. O ideal, em lugar de açúcar, é dar um torrão de rapadura, rico em cálcio, fósforo e vitamina B2.

 

MÚSICA

 

O cavalo a aprecia, dando preferência à música melodiosa e instrumentos como flauta e violino. Já os barulhentos  como tambores não são bem aceitos. Quando o cavalo aprecia a música, levanta a cabeça e suas orelhas ficam atentas, deixando-o calmo e paciente. Como o som causa reflexos sobre a bexiga, devemos aproveitar para ensinar o animal a urinar numa lata. Também devemos utiliza-la para os garanhões, desligados às montas, estimularem seu líbido.

 
CONVIVÊNCIA

 

A parceria com o homem é indispensável ao cavalo. Ela traz grandes vantagens na doma e no adestramento. O eqüíneo passará a atender melhor o homem e este, por sua vez, a tolerar mais a sua irracionalidade.

 

REFLEXOS CONDICIONADOS

 

Condicionam-se o cavalo a um leve assovio e ao ruído da ferramenta que recolhe a cama de manhã e a estende a tarde, c

onseguiremos que o mesmo urine numa lata de manhã e à tarde. A música também influi nos reflexos da bexiga. Se racionamos o plantel em horas certas, sua salivação será mais ativa, proporcionando elevada digestibilidade. Quanto mais usarmos o relógio nas atividades melhor desempenho ele oferecerá.

 

De dois em dois meses é indispensável fazer uma revisão nos cascos dos potros, procedendo num exame dinâmico através da observação de como pisam. Caso apresentarem  desgaste anormal que possa afetar os aprumos, deve-se despalmar o lado menos afetado. Em seguida iniciar uma avaliação com o animal estático, aparando para que não se tornem achinelados. Quando necessário executar um despalme total, eliminando o excesso de tecido escamado da ranilha. Também é bom dar atenção aos gaviões de casco para que o mesmo não encastele.

 

VISÃO

 

O cavalo percebe qualquer objeto, seja frontal, lateral ou mesmo na aguarda. A sua visão será completada pela audição. Ela à noite é superior a do homem. Quando cavalgamos nestas horas, devemos oferecer maior autonomia para que ele nos defenda de maiores riscos. Existe uma lenda árabe (M. Montang) que diz: “Certo dia, um leão e um cavalo discutiram quem tinha melhor visão. Durante uma noite negra o leão podia perceber uma pérola branca no leite e o cavalo uma pedra preta no carvão”.

 

A visão frontal do cavalo é total quando ele mantém sua cabeça numa posição normal. Por isso quando corremos um boi, devemos manter uma boa postura de sua cabeça. Os cavalos quando presos ao freio, excessivamente recolhidos ou os passarinheiros, não têm uma visão completa do boi. Não distingue cores, mas sim os contrastes. Devemos dar muita atenção aos olhos do cavalo, e quando apresentam um problema visual tornam-se assustadiços, desconfiados e inseguros.

 

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